Os discursos contraditórios de Valmir, que já tentou entregar água de Itabaiana para empresa envolvida em escândalos nacionais de corrupção

As recentes declarações do ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (Republicanos), sobre a concessão dos serviços de água em Sergipe voltaram a provocar forte repercussão nos bastidores. Ele afirmou que, caso seja eleito, cenário que diga-se de passagem é extremamente remoto, pretende romper o contrato firmado pelo Estado com a Iguá, discurso que, além de ser tratado por especialistas como juridicamente temerário e capaz de gerar uma multa bilionária contra Sergipe, também expôs uma contradição incômoda envolvendo o próprio histórico do grupo político itabaianense.

Isso porque, anos atrás, a própria gestão de Valmir já trabalhava para entregar o sistema de distribuição de água de Itabaiana à iniciativa privada. A revelação veio do ex-prefeito Adailton Sousa, aliado do agrupamento, ao confirmar publicamente que, em 2015, a prefeitura estudava conceder ou até privatizar o serviço diante das críticas feitas à operação da companhia responsável à época.

Segundo Adailton, as negociações chegaram a envolver a Odebrecht, empresa que posteriormente se tornou símbolo nacional dos maiores escândalos de corrupção da história do país. O projeto acabou não avançando após o colapso da empreiteira em meio à Operação Lava Jato e também por entraves judiciais.

A declaração caiu como uma bomba justamente porque desmonta parte do discurso atual adotado por Valmir e seus aliados. Nos bastidores, adversários avaliam que o problema do grupo nunca foi exatamente a concessão do serviço, já que a medida chegou a ser defendida internamente anos atrás, mas sim o desgaste político de uma pauta que hoje virou instrumento de oposição ao governo Fábio Mitidieri (PSD).