A repercussão nacional da reportagem da revista Veja colocou Sergipe no centro de um debate constrangedor sobre o uso de emendas parlamentares para custear shows. No foco das críticas estão a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e o deputado federal Thiago de Joaldo, associados a um episódio que passou a simbolizar, para muitos, o que a própria publicação classificou como ponto fora da curva no país.
Segundo o levantamento citado, cerca de 46,1% das emendas destinadas a shows, quando analisadas sob a origem dos recursos, têm ligação com parlamentares sergipanos. O número ganhou manchetes nacionais e expôs o estado a questionamentos sobre prioridades orçamentárias, sobretudo diante das demandas estruturais que ainda marcam diversos municípios.
O episódio mais lembrado envolve o anúncio público feito por Thiago de Joaldo durante apresentação do cantor Wesley Safadão no Forró Caju. No palco, ao lado do artista, o deputado afirmou que destinaria parte de suas emendas de 2026 para garantir novamente a atração no evento. A prefeita Emília, presente no momento, reforçou a promessa diante do público. A cena, que inicialmente teve tom festivo, ganhou novo significado após a reportagem nacional, passando a circular como símbolo da controvérsia.
Para críticos, a imagem de gestores e parlamentares anunciando recursos públicos para grandes shows, em clima de celebração, contribuiu para a percepção de descompasso entre espetáculo e responsabilidade fiscal. O constrangimento não veio apenas pelo volume de recursos mencionados, mas pelo impacto simbólico de ver Sergipe liderando estatísticas relacionadas a esse tipo de destinação.
A publicação também destacou que, em todo o país, foram identificadas 131 emendas do tipo “Pix” para custear shows no último ano, somando cerca de R$ 61 milhões. No entanto, o protagonismo sergipano no levantamento ampliou o desgaste local, transformando o caso em exemplo nacional de debate sobre transparência, fiscalização e prioridade no uso do dinheiro público.
A discussão agora ultrapassa o campo cultural. O que antes era tratado como investimento em entretenimento e turismo passou a ser analisado sob a ótica da imagem institucional do estado. Em meio ao cenário pré-eleitoral, a associação de Sergipe à chamada “farra das emendas” cria um ambiente de desgaste político que tende a acompanhar tanto a gestão municipal quanto a atuação parlamentar nos próximos meses.
