Suspeito foi flagrado exigindo dinheiro de empresário para não publicar conteúdo difamatório.
A prisão em flagrante de um influenciador digital por extorsão, nesta semana, em Aracaju, reacendeu um debate sobre a importância do jornalismo profissional em tempos de redes sociais. O caso envolveu a exigência de R$ 1,5 mil de um empresário, sob ameaça de exposição difamatória na internet.
A ação foi conduzida pela equipe da 3ª Delegacia Metropolitana, que prendeu o suspeito no momento em que ele recebia R$ 700 em um restaurante na Orla da Atalaia, Zona Sul da capital sergipana. No dia anterior, o empresário já havia transferido R$ 800 via Pix ao influenciador. Desconfiado do caráter criminoso da abordagem, ele procurou a Polícia Civil, que montou uma operação para o flagrante.
Segundo o delegado Henrique Tomiello, que está à frente da investigação, o suspeito foi detido com o dinheiro em mãos e encaminhado à delegacia, onde teve o auto de prisão em flagrante lavrado. As investigações continuam e apuram se há outras vítimas do mesmo esquema.
O episódio reacendeu uma discussão importante sobre o papel das redes sociais e os riscos da desinformação ou de linchamentos digitais praticados por pessoas que se colocam como “influenciadores”, e divulgam informações sem critérios editoriais, checagem de fatos ou responsabilidade legal.
Casos semelhantes têm ocorrido em outras partes do Brasil. Por exemplo, no Rio de Janeiro, em março de 2025, o influenciador digital Renan Rocha de Assis, conhecido como Renan Finnellon, foi preso em Casimiro de Abreu por extorquir empresários e políticos da região. Ele usava sua página no Instagram, com mais de 12 mil seguidores, para veicular conteúdos difamatórios contra suas vítimas e exigia valores para que tais publicações fossem retiradas ou não fossem feitas.
Outro caso ocorreu no interior de São Paulo, no mesmo mês, quando um influenciador identificado como Edu Borges foi preso em Macaé. Ele utilizava uma conta no Instagram para atacar o governo local e o prefeito, com criticas constantes em vídeos. Em seguida, exigia pagamentos mensais de R$ 12 mil para cessar as publicações difamatórias. A prisão ocorreu após denúncia feita pelo gabinete da prefeitura local à Delegacia de Polícia. Durante a operação, ele foi detido ao marcar encontro com um servidor que funcionava como intermediário nas negociações.
Diante de situações como essas, em tempos de redes sociais e influenciadores com alcance expressivo, o episódio em Aracaju destaca a importância do jornalismo profissional e ético, que trabalha com checagem de informações, direito de resposta e responsabilidade, além de seguir códigos de conduta.
Segundo levantamento do Instituto Reuters de Jornalismo Digital (2023), o nível de confiança na imprensa no Brasil gira em torno de 43%, mas entre as redes sociais e aplicativos de mensagens, apenas 18% dos entrevistados confiam nas informações recebidas.