O vereador de Aracaju e agora presidente do diretório municipal do PT, Camilo Daniel, fez graves acusações contra setores internos do partido que, segundo ele, estariam atuando deliberadamente para enfraquecer a militância e entregar o partido ao “sistema”.
“A gente ouve dizer que teve vereador bolsonarista que filiou gente a pedido de um empresário para tomar o PT e levar para Fábio Mitidieri. Isso tá implícito e explícito em várias entrevistas que foram concedidas no período do Pré-Caju do ano passado, nas ações que são feitas”, afirmou Camilo em entrevista à imprensa.
As declarações não surgem isoladas. Em meio ao PED do partido, que encerrou-se neste domingo, 6, com sua vitória na capital, e de Rogério Carvalho no estadual, uma das acusações mais graves que circulam nos bastidores é de que, temendo uma derrota acachapante de seu grupo, o ministro Márcio Macedo teria articulado a filiação em massa de aliados de grupos anti-PT, em muitos casos, pessoas com histórico político alinhado à direita, numa tentativa de desequilibrar o jogo contra o senador.
Segundo essas denúncias, tratava-se de uma tática de “cavalo de Troia”: infiltrar figuras para esvaziar a força da militância e, assim, garantir a vitória de Cássio Murilo, candidato apadrinhado por Márcio.
Também foram vistas diversas tentativas de sangrar o próprio partido, com acusações falsas, vídeos fakes e tentativas de difamar a ala de Rogério, em prol dos interesses individuais de Márcio.
A estratégia, no entanto, falhou de forma retumbante. Rogério venceu com quase o triplo de votos, consolidando sua força e recebendo o apoio esmagador da base petista.
Para muitos militantes, o recado das urnas internas foi claro: o PT não está à venda. A tentativa de transformá-lo em moeda de troca foi rejeitada por quem constrói o partido no dia a dia, nas comunidades, nos sindicatos, nos movimentos populares.