Valmir de Francisquinho: liminar favorável e a prova de que o cenário mudou

O anúncio da recente decisão judicial favorável a Valmir de Francisquinho não produziu o impacto político que parte de seus aliados esperava. Nem mesmo a imprensa sergipana ou os produtores de conteúdo independente explorou o tema com maior intensidade, reflexo direto da repercussão abaixo do esperado e do engajamento tímido observado nas redes sociais, após passada a euforia inicial do anúncio. Inclusive, neste sábado, apenas um dia depois, o assunto já demonstra um esfriamento surpreendente para alguns, mas previsível para quem acompanha de perto o cenário político sergipano.

Ontem, 30, o governador Fábio Mitidieri deu uma declaração que chegou a ser mal interpretada por setores da oposição, como se minimizasse uma suposta presença de Valmir nas eleições. Com o passar das horas, porém, o sentido real de sua fala ficou mais claro: não se tratava de desprezo institucional, mas de uma leitura política objetiva. O governador não demonstrou preocupação porque, na prática, Valmir já não ocupa o mesmo espaço que ocupava em 2022, quando era visto como um nome capaz de tensionar o tabuleiro eleitoral.

Essa perda de centralidade não aconteceu por acaso. Desde o segundo turno de 2022, quando optou por apoiar o PT, Valmir passou a acumular desgastes junto a direita sergipana que esperava outra postura política. O problema se agravou quando ele próprio expôs publicamente que parte daquele apoio se deu por acordo jurídico, e não por afinidade política, o que enfraqueceu sua imagem não somente com o povo, mas também com a classe política e jurídica. A partir dali, a relação com aliados entrou em rota de colisão, marcada por sucessivos conflitos e declarações públicas que fragilizaram ainda mais a imagem de Francisquinho.

O desgaste se aprofundou com ataques a figuras que integravam seu próprio grupo político. O ex-prefeito de Itabaiana, Adailton Sousa, quase enfrentou uma CPI após declarações que geraram instabilidade no município. Em seguida, vieram embates com Edvan e Eduardo Amorim, além de tensões com a prefeita Emília Corrêa. O caso mais recente, porém, foi com o deputado estadual Marcos Oliveira, aliado leal durante todo o mandato e um dos mais firmes opositores do governo, episódio que vem consolidando a percepção de pouco confiável e vaidoso, já que nem mesmo o aliados saem ilesos da estratégia vitimista que é o carro chefe do marketing do prefeito.

Diante desse histórico, a decisão judicial, embora relevante no campo jurídico, não foi capaz de reposicionar Valmir no centro das articulações políticas. Não houve reconfiguração de alianças, nem alteração concreta de estratégias para 2026. O esfriamento rápido do tema mostrou que o peso político que ele carregava em 2022 já não se repete no cenário atual. Em política, vitórias judiciais não substituem capital político, e o silêncio dos bastidores costuma ser mais revelador do que qualquer anúncio oficial.